domingo, 8 de janeiro de 2012

Ébrio III

Cigarros apagados em meu braço, fumaça entranhada em meus pulmões ressurgindo pouco a pouco para a superfície através de minhas narinas. Foram fundo confesso, com minha boca impus minha autoridade, desejo e arrogância suguei tudo até aonde podia e não o quis soltar, não perdoei nem o filtro. Entraram, descendo sempre mais e mais conforme eu ditava, laringe, faringe, traqueia, talvez tenham me conhecido muito mais que eu.

Vodca derramada na grama e um maço amassado ao meu lado, que desperdício. Satanás pisava em minha cabeça rindo de minha cara enquanto eu tonto levantava me perguntando como eu cheguei aqui, mais negro que os meus pulmões são os tempos que se avizinham. Preciso de uma xícara de café forte para encarar a realidade que senta ao meu lado e diz: muito bonito pra sua cara.

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