segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Calmaria.

Quero de volta a mansidão de antigamente,
Como um lago era eu, superfície calma, tranquilo
onde o vento faceiro passava suas longas madeixas
em meu corpo e eu vermelho tímido,
achava graça daquele afago carinho e inocente.

Hora e outra vinha um barco,
perturbar minha superfície,
mas pedia com toda a gentileza:
com sua licença jovem rio,
venho aqui apenas pra refletir um pouco sobre a vida
pois assim como você, eu também já fui um lago
mas perturbado hoje sou e de minha forma original
só me resta a lembrança.

Me perguntei o que haveria de ter acontecido
de tão grave com o tal ancião
para que algo assim tivesse o atingido.
Até que certa tarde vieram humanos em grande algazarra
e sem ao menos conversar, afligiram minhas margens
com pedras, paus e tudo aquilo que tinham ao alcance.

Não pude e não quis fazer nada,
pois não é de meu feitio machucar ninguém
tentei, em vão, chamar-lhes atenção
pois aquilo que faziam comigo me machucava.

Quando toda aquela sessão passou
estava eu deitado na lama.
Me sentei, coloquei as mãos em minha fronte
e pensei: nunca mais serei o mesmo.

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